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riscos_e_rabiscos

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Balanço da Semana.

Já devem ter reparado que eu ando muito jururu (*). Já comecei as aulas mas antes do início destas, tive reuniões com as escolas para definição de regras e normas. E conforme ia às reuniões, o desânimo apoderava-se de mim. As turmas são péssimas, os miúdos não gostam de inglês, o ensino/aprendizagem muito deficiente. O cenário é bastante escuro para não dizer negro.

 

Mas o que aconteceu nestes cinco anos, que estive fora das AECs na escola pública, para estarem neste estado? Na altura em que estas actividades arrancaram, a ministra da altura (Maria de Lurdes Rodrigues) até tinha como ponto de referência a nível nacional a minha cidade de tão bem que as coisas estavam a correr.

 

Temos de fazer omeletes em ovos e o ensino é desigual entre escolas. Continua-se a não poder tirar fotocópias, nem imprimr nada e ainda por cima os miúdos deixaram de ter manuais. Querem que façamos jogos e "brinquemos" com os alunos. Antes de conhecer as minhas turmas todas, andei a tremer nas bases, completamente apanhadinha pelos efeitos secundários dos nervos.

 

Como se não bastasse tudo isto, o meu Bóbi vai mesmo ter que ser operado. é mais uma situação para me fazer andar nervosa e ansiosa. E preocupa-me não ter carro para levar o cão até ao vet. Não pode ir a pé porque com o calor - e o facto de estar com calor - não pode levar anestesia geral porque pode causar um enfisema pulmonar. 

 

Depois vejo estas injustiças todas que estão a contecer no nosso país e que me atingem como facas afiadas. 

Quero andar para a frente, trabalhar, desenvolver-me, progredir, evoluir, seguir com o meu projecto Lovely Things para a frente mas parece que tenho umas amarras que não me deixam avançar, que me prendem à base.

 

Não perco a Esperança mas desanimo, tenho fases em que me sinto mais em baixo. Esta é uma delas.

 

(*) Pessoa que demonstra uma apatia, um desânimo.


P.S. - Assim que conseguir controlar estes nervos e ansiedade, respondo aos vossos comentários, volto a comentar-vos e a dar-vos a atenção que merecem. I promise!

Sudenly Surgery!

 

A minha mãe foi hoje operada à vesícula. Foi um dia inteiro passado no hospital. E sinto-me como se tivesse sido atropelada por um camião, para já nem mencionar os kilómetros que fiz lá dentro.

 

O tempo de espera agudiza o nervoso miudinho e a ansiedade. É talvez das piores fases pré-cirurgia. Como a minha mãe já tinha todos os exames feitos, não foi em “excursão” fazê-los com o grupo dos futurs operados. Pela lógica da batata, ela deveria ter sido das primeiras pessoas a quem a cama seria atribuída. Mas não. Esteve desde as 11 da manhã até às 2 da tarde à espera.

 

Procedimentos efectuados (questionário, catéteres e vestuário), voltámos a esperar mais um pouco. A minha mãe travou logo conhecimento com o vizinho da frente que tinha feito a mesma cirurgia que ela de manhã, e com a senhora que estava de visita ao marido que se encontrava internado e ligado às máquinas há 3 meses.

Esta conversa acabou por ser um momento de descompressão pois devido ao nervoso, a minha mãe tinha a tensão altíssima.

 

Às 4 horas tinha chegado a vez da minha mãe descer para o bloco operatório.

Aproveitei para ir comer algo e entreter algum tempo, li uma revista cor-de-rosa (em momentos de tensão não me consigo concentrar para ler livros), joguei tetris no telemóvel, falei como toda a gente e mais alguém e calcorreei aqueles corredores do hospital mais de 500 vezes.

 

Depois aconteceu algo que mexeu bastante comigo mas que eu já suspeitava…

Tinha ouvido um médico falar com a senhora cujo marido estava ligado à máquina. Não ouvi a conversa sequer mas adivinhei intimamente o que se iria passar.

Acabara de sair do elevador e entrar na sala de espera quando vejo a tal senhora. Aproxima-se de mim e diz-me “ele já se foi…” e desfaz-se em lágrimas. Custou-me tanto ouvir aquilo. Porque imaginei o sofrimento daquela mulher ao ver o marido a definhar e a ficar dependente de uma máquina. As visitas diárias a um ser vegetativo mas que ela tinha esperança de ainda voltar a ver reagir. A adiar uma morte inadiável.

Dei um abraço e um beijinho à senhora, disse meia dúzia de palavras de consolo – se é que pode haver algumas numa altura destas – e desejei-lhe muita força e coragem.

Conforme a senhora me vira as costas, desataram a cair-me as lágrimas como se fosse por alguém que eu já conhecesse há algum tempo. Custou-me aquela história de vida que se desfez em fumo numa questão de segundos.

 

Contei todos os segundos e minutos à espera de ver a porta dos elevadores abrir-se e surgir a minha mãe. Espreitei o quarto dela vezes sem conta.

Passou uma hora… duas horas… três horas… e a preocupação a começar a crescer. Ao fim de quatro horas lá dá ela entrada no quarto.

 

Não é que a meio da cirurgia, a minha mãe teve um ataque de asma? Isto deve ter atrasado tudo. Mas quando a vejo vir, acordada e aparentemente bem, foi um alívio.

Como já estava fora da hora das visitas, apenas verifiquei se estava tudo bem pois ela estava bem disposta. Pormenores da cirurgia só amanhã mesmo. Saí do hospital cansadíssima mas bastante mais aliviada!